
Não é o cansaço, o que falta. Com saudades sinto-me incompleta, então humana, e se não as tenho estou fria. É o conforto, o que falta para adormecer. Porque morno é frio, para mim. Meios-termos, jamais. E como me forças a desistir do quente, só estou confortável no frio tão gelado que o sinto a ferver, frio que queima e arde e conforta-me para adormecer.
Fervo de saudades.
And all the time he's mumbling truth. Truth like a blanket that always leaves your feet cold. You push it, stretch it, it'll never be enough. You kick at it, beat it, it'll never cover any of us. From the moment we enter crying to the moment we leave dying, it'll just cover your face as you wail and cry and scream. Dead Poets Society

Não consegui fechar a porta com a violência que me escapava, com o estrondo que eu ansiava ouvir. Faltou-me a vontade, é ela que se esconde. Por isso não sei se, agora, a porta acabou por fechar devagar abandonando-me no escuro, sem que o mais pequeno ruído fosse notado por mim ou por ti, ou se se mantém encostada, deixando entrar apenas raios de luz que nada iluminam, à espera. Não há diferença porque, como sabes, estou de olhos fechados.
Fotografia de The Piano.
Somos dois ímans e eu e ele, o mesmo. Desafiamos as leis da física. Atraímo-nos com o mesmo polo e eu e ele, separados por barreiras invisíveis. No meio de nós, sempre os anos. Sempre os anos. Sinto o peso do que tenho na palma da mão; o melhor para mim. E não o aceito. A insatisfação sempre latente, procurar ser feliz de outro modo que feliz nunca me fará. É um peso que suporto. Tal e qual como se estivesse no limbo, entre tê-lo e não o ter. Não é como se ele fosse indispensável. Não é como se eu não tivesse outra escolha. Seria como abrir os olhos. Respirar profundamente de novo. Não é como se eu não soubesse viver sem ele. Eu só não quero. No meio de nós, sempre a consciência.
Vou de férias. Até Domingo.

É muito, muito raro eu conseguir chorar num filme. Ao invés, o meu estômago enrola-se e respiro com dificuldade. O coração acelera e tenho uma pequena parte de mim que me pede para fazer stop e ir-me embora naquele instante. Imagino que seja uma sensação um pouco mais desagradável. Willard é o lado hilariante dos loucos. Os loucos que nos fazem soltar grandes gargalhadas mas que, no fundo, nos deixam profundamente tristes. Porque num mundo em que nos rimos dos doidos, é difícil reparar que a loucura está em nós e em nós, apenas.


O vestido dos meus sonhos. Mas como os meus sonhos costumam ser ligeiramente improváveis, não é de admirar que conseguir uma boa réplica deste em tempo recorde e resistir a comentários do género "Não é para a tua idade!" também o seja. Se bem que vou ter catorze anos há catorze dias no momento do big wedding. Não faz diferença.
Respondo desonestamente quando me perguntam o meu pior defeito. Penso que não há defeitos melhores nem piores. Há apenas aqueles com os quais temos que aprender a lidar e aqueles que negamos. Jamais me consegui descrever pois não me conheço. E só me irei conhecer no dia em que me olhar com outros olhos que não os meus. Até lá, todos nos contentamos a procurar defeitos noutrem porque somos cobardes o suficiente para termos medo de aceitar os nossos. Todavia se tivesse que me mostrar, diria que sou como uma rosa com muitos espinhos. Algumas das minhas pétalas estão fechadas e ainda são pequenas. Porém existe uma que já se afastou de mim. Está descaída e seca, nunca está saciada, precisa de mais água do que as outras e busca por sol desesperadamente. É a pétala da liberdade.